A sacada do empresário Guga

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Data: 01/09/2008 02:20:44 [810 Palavras]
Publicação: Gazeta Mercantil (Brasil)
Idioma: Português-Brasil
Autor: Gazeta Mercantil

São Paulo, 1 de Setembro de 2008 - Para Gustavo Kuerten, o Guga, o início da carreira não foi diferente dos demais tenistas brasileiros. Os pais custearam os gastos do atleta. Em entrevista exclusiva à Gazeta Mercantil, via e-mail, Guga descreve como foi sua história com a raquete e a bolinha, desde as categorias de base, até a sua nova carreira, a empresarial.

Gazeta Mercantil - Quando você começou a praticar o tênis?

Comecei a jogar quando tinha seis anos.

Gazeta Mercantil - Quem pagava os gastos com viagens e competições?

No começo, tive o apoio da família e todos os custos foram bancados por nós. A sorte é que onde jogava, na equipe da Astel, auxiliavam pagando os gastos nos torneios estaduais. Nas competições nacionais os principais jogadores do Estado contavam com o apoio da Federação Catarinense de Tênis, que pagava o transporte e a hospedagem.

Gazeta Mercantil - Quando conseguiu o primeiro patrocínio? Para qual competição?

A Schlösser foi a primeira empresa a me patrocinar, naquela época eu recebia os uniformes. Depois, entrei na equipe da Ceval que bancava todos os custos de treino e viagem Mas, como eu tinha só 13 anos não agüentava morar longe da família. Na seqüência, tive o apoio durante um ano e meio da Sadia e, logo após, do Frigorífico Chapecó.

Gazeta Mercantil - Em seu auge como tenista, quanto, aproximadamente, era necessário gastar para ser

um atleta de ponta?

Na verdade, esse valor se torna irrelevante quando se chega ao topo. O momento mais difícil é quando você começa a se destacar, começa a querer viajar, ir mais longe, mas a condição financeira começa a pesar. O custo com viagens, por exemplo, representavam mais de 60% dos meus gastos, numa época em que a cotação do dólar era muito alta.

Gazeta Mercantil - Em relação aos materiais, quantos pares de tênis, raquetes, bolinhas e uniformes eram necessários a cada mês?

Em média dois pares de tênis por mês, quatro raquetes por semestre; 120 bolinhas por mês; 12 jogos de uniforme a cada trimestre.

Gazeta Mercantil - Sempre treinou no Brasil?

Minha base sempre foi feita aqui. Embora eu também considere como treinamento a participação em competições no exterior. Acho que é bem possível treinar dentro do Brasil.

Gazeta Mercantil - Quais são seus principais títulos?

Eu citaria os melhores resultados em Grand Slams, como os três títulos em Roland Garros (em 1997, 2000 e 2001), o Masters em Lisboa (2000); o Australian Open (3ª rodada , em 2003) e as vitórias na Copa Davis.

Gazeta Mercantil - Em que ramo da economia você atua hoje?

Minha empresa, a Guga Kuerten Participações, trabalha no gerenciamento de minha marca e imagem. Temos trabalho de uso de imagem com o Banco do Brasil e com a Vivo, e parcerias com a Grendene em chinelos e papetes [tipo de sandália], com a Diadora em tênis e vestuário, e de óculos com a Lougge. Tenho vontade de voltar a licenciar produtos escolares.

Gazeta Mercantil - Pensando como empresário, você considera que os títulos conquistados foram um atalho para o sucesso empresarial?

Com certeza. Por outro lado, o sucesso no esporte também representa um desafio, porque as pessoas esperam a mesma performance em tudo o que faço. Mas, isso me motiva, adoro desafios. Também cobro muito empenho do nosso pessoal na Guga Kuerten Participações.

Gazeta Mercantil - Como empresário, quais são suas ações em benefício do esporte tênis?

Posso começar citando que todos os parceiros que se associam à Guga Kuerten Participações são motivados a investir no tênis. Além disso, desde 2000, oferecemos com o Instituto Guga Kuerten escolinha de tênis para crianças e adolescentes para difusão do esporte em todas as classes sociais. Sei que minha imagem é muito importante para o tênis brasileiro. E é por isso que, mesmo parando de competir profissionalmente, optei por continuar vinculado ao tênis para ajudar no desenvolvimento do esporte no Brasil.

Gazeta Mercantil - Tem algum projeto para a comunidade?

Já citei o trabalho realizado pelo Instituto Guga Kuerten. Há oito anos atendemos crianças, adolescentes e pessoas com deficiência em três projetos distintos: Esporte e Educação, Ações Especiais e Apoio a Projetos Sociais em Santa Catarina, que já beneficiaram diretamente mais de 25 mil pessoas.

Gazeta Mercantil - Você acha que os empresários deveriam investir mais no esporte brasileiro? Como você avalia a situação

de hoje?

Eu acho que o investimento no esporte gera um retorno muito interessante e é bem mais acessível do que investir em mídia. Acho que seria preciso demonstrar isso aos empresários, pois quem dirige uma empresa está procurando lucro, procurando crescer. Assim como o atleta, eles também buscam a vitória em cima do concorrente. Atualmente vejo como grande exemplo o vôlei que realiza um projeto de longo prazo com o com o Banco do Brasil. Eles adotaram o esporte, fizeram um belo projeto e dali estão saindo grandes atletas e muitas vitórias.

(Gazeta Mercantil/Caderno C - Pág. 12)(Pedro Souza)