Bancos internacionais só ficam no país com plano de recuperação

Rating
+3
Total: 3
Data: 23/05/2002 00:00:00 [466 Palavras]
Idioma: Português-Brasil
Autor: Gazeta Mercantil

São Paulo, 23 de Maio de 2002 - O governo argentino terá que apresentar um bom plano de recuperação para o setor bancário e, logo, para acalmar os ânimos dos bancos estrangeiros lá instalados. Ontem o IntesaBci, o maior banco da Itália, disse à Bloomberg News que não planeja enviar dinheiro à sua filial argentina, o Sudameris, para cobrir a retirada de depósitos, desmentindo o porta voz do banco na Argentina que havia dito que sua matriz transferiria US$ 100 milhões na próxima semana - no mês passado o italiano enviou US$ 100 milhões. Um jornal portenho chegou a informar que o Sudameris, há 90 anos na Argentina, seria administrado pelo Banco de la Nácion Argentina, como está ocorrendo com as filiais do Crédit Agricole, que decidiu sair do país. A versão foi desmentida pelo Sudameris. De qualquer forma, a IntesaBci garante que não irá enviar recursos. "Qualquer decisão de apoio está subordinada a que as autoridades locais definam um plano de reestruturação", disse o italiano. O mesmo discurso foi usado pelo francês Societé Generale para decidir o futuro de suas operações no país vizinho. "Gostaríamos de ficar, mas há uma crise muito séria e estamos esperando para ver que decisões tomarão as autoridades", disse um porta-voz do banco. No ano passado, o SocGen destinou _ 346 milhões para cobrir sua exposição na Argentina. Dois já desistiram. O francês Crédit Agricole - a maior entidade financeira cooperativa do mundo e que tinha o controle de três bancos de forte influência na região central do país - e o canadense Bank of Nova Scotia (Scotianbank), que se negaram a enviar fundos a suas filiais para limitar as perdas. O calote da dívida, a desvalorização do peso e uma prolongada recessão já causaram aos bancos internacionais perdas de US$ 8,5 bilhões no último ano. O Banco Nación, a maior entidade pública do país, vem administrando os desistentes. Mas o banco central está propondo que se crie uma empresa com os ativos das três filiais do Crédit Agricole - Suquía, Bisel e Bersa - administrada por uma entidade privada, segundo o jornal El Cronista, de Buenos Aires. Para a gestão do passivo, se criaria uma sociedade, da qual o Banco Nación faria parte. Ontem o Bisel e o Suquía reabriram as portas e operaram sem inconvenientes. No plano de reestruturação o Scotianbank também propõe a criação de uma empresa que integre os passivos, mas que deixe de fora depósitos não reprogramados abaixo de 30 mil pesos. Depois de sair da Argentina, o Crédit Agricole está mais tranqüilo e anunciou ontem, em Paris, que não prevê um "impacto financeiro significativo" em 2002 pela decisão tomada. O diretor gerente do banco, Jean Laurent, disse que todas as provisões para as perdas com a Argentina haviam sido feitas nas contas de 2001. (Gazeta Mercantil/Página B2)(Josette Goulart - Com Bloomberg News)